Mentira não é uma arte sutil. É a arte da enganação, da decepção. Mentiras não são consolo, nem mesmo influência. São como flocos de neve. Você pode achar pequena mas ela vai crescendo... Chega uma hora que todos vêem. E as vezes você é o último a perceber. Ela se alastra aos poucos, se torna perigosa, traz riscos e envolve cada vez mais pessoas. Até que uma hora ela causa algum acidente e conseqüentemente uma separação. Sobram apenas os lamentos e arrependimento de quem poderia te-lo evitado...
Qual seria o motivo bom o suficiente para alguém se esconder pos trás de mentiras? Aí é que está... ele não existe... Talvez uma pessoa assim estivesse apenas tentando enganar a si mesma, se colocando em uma situação de segurança e de confiança. Falsos sentimentos de amizade, companheirismo e até mesmo amor dão a impressão de bem-estar. A mentira começa a ser necessária e aos poucos se torna um vício. Para encobrir pequenos deslizes aparecem contradições, coisa de pessoas pequenas.
Pessoas pequenas sentem necessidade de se sentir queridas de ter algo do que se orgulhar, mas não fazem o mínimo esforço para isso. Falar é mais fácil. Pode falar de si mesmo se engrandecendo com ilusões ou falar dos outros os desfazendo e difamando. Quem mente sempre vai achar que está certo. Vai achar que o mundo gira em torno de si e que estará sempre no centro das atenções fazendo papel de bonzinho. Mas como dizem, a mentira tem perna curta. Logo alguém vai afirmar, negar ou argumentar as colocações.
Se defender de algo que foi feito não é simples; vai haver provas contrárias às suas sentenças. Cedo ou tarde
a máscara cai e o que antes era um paraíso vai se tornando um inferno. Agora a pergunta que não quer calar: o que leva uma pessoa a ter coragem e arriscar construir uma vida de mentiras? A resposta é simples: perdas e ganhos. Se alguém está mentindo é porque algo anda errado e sua vida não está boa. Logo vem a análise dos riscos e do que pode ser perdido. Não há como ter perdas. Se as coisas não andam bem, não podem ficar piores (mas na verdade podem).
Durante toda essa farsa é impossível ser indiferente com relação as pessoas que entram e saem de sua vida. Pode entrar uma pessoa íntegra e de fácil apego, que é classificada como ganho mas a partir do momento que se possui algo, sempre há a possibilidade de perder, e ela acaba se afastando certo tempo depois. Ai começam as perdas maiores, pessoas que antes o admiravam, agora fogem de sua presença. Perde-se os amigos, a família, perde-se o amor.
Em pouco tempo estará tão mal que vai olhar para trás e se perguntar se tudo realmente valeu a pena;
Verá o mal que causou e se tiver bom-senso tentará se redimir mas talvez seja tarde. Vidas estarão arruinadas e nem tudo estará ao alcance.
Pior que a decepção de não tentar fazer as coisas mudarem da sua forma é a de fazer da sua forma sabendo que está errado...
Escrito por Scheylla A. Caetano







